segunda-feira, 29 de junho de 2015

O PT, ANTES DE SER O PT - Por Otávio Martins



 
O PT, ANTES DE SER O PT



Por Otávio Martins


Meados do ano de 1979, o PT tentava engatinhar. O pessoal lá do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, assim como eu, acreditava no pelego Lula. Precisava de dinheiro para fundar o partido. 

Na mesma época, o Eduardo Gudin, com a ajuda da mídia, precisava recuperar o seu prestígio. Então, modestamente, fazia shows com o Riberti, Márcia. Introduzi o Paulinho Nogueira. Viajaram por 11 cidades por conta de um Projeto do SESC, pessoal lá de Interlagos, Otaviano, sua namorada, parece que Marisa e o Alen.




Num dos espetáculos, o qual serviria para angariar fundos para a fundação do novo partido, O PARTIDO DOS TRABALHADORES, muitos artistas, compositores e intérpretes da MPB estavam lá para colaborar. Paulinho da Viola, João Bosco (viriam do Rio, por conta própria); de São Paulo, Adoniran Barbosa, Eduardo Gudin, Riberti, Paulinho Nogueira, Ney Matogrosso, Odair Cabeça de Poeta e outros, que, agora, não lembro os nomes. A apresentação de todos esses artistas estava programada para se apresentarem no Teatro Tuca. 


Aquele coronel fascista e nazista, o Erasmo Dias, bloqueou com os “seus homens” todas as ruas que davam acesso ao teatro. Não houve lua, ninguém sambou. O Suplicy, oportunisticamente, fez um breve discurso, usando o microfone que estava no palco. A Censura, com um documentinho fajuto, apresentava como pretexto que não poderia ser realizado o espetáculo por causa da Joan Baez, pois esta não estaria em condições legais para participar do show. Nem eu sabia que ela estava no Teatro. Conversa pra boi dormir.


O Manuel, lá da padaria da 13 de Maio, como eu havia solicitado, fez uns 100 sanduíches de pão francês, mortadela e queijo, para o pessoal fazer um lanche. Quase todos (os sanduíches) voltaram, não houve show. Apenas a Joan Baez cantou, na platéia, Gracias à la vida, da Violeta Parra, chilena. Claro, a Platéia, nossa produtora, a Elô e, também, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, tiveram que arcar com o prejuízo.




Era a primeira produção da Platéia Produções Artísticas, uma firmeta do Gudin e minha. Espalhamos (sob a orientação da Eloísa Marques, que conhecia todo mundo na imprensa e os artistas cariocas) cartazes feitos por um desenhista, do qual, infelizmente, não me recordo o nome. Recebi um telefonema do empresário da Regina Duarte, dizendo que Platéia já existia, era dele e da Regina Duarte. Foi, até, sensato, aquele espetáculo poderia sair como produção da sua (dele) Platéia. Depois, viramos Realejo Produções Artísticas. Porém, sempre tem um porém, o Paulinho (Paulo Augusto Moreira Santiago) acho que agora, até já tomou conta do Museu do Bexiga, o qual iniciamos junto com o Armandinho, ali na Rua dos Ingleses, próximo ao Teatro Ruth Escobar, quase junto à escadaria que dá da Rua dos Ingleses à Praça 13 de Maio, na 13 de maio.




O Paulo Augusto Moreira Santiago, através da sua produtora e distribuidora de fotos (Sigla) e eu, através da Realejo, descontávamos algum dinheiro num pequeno banco, cuja gerente era, também, uma espécie de agiota. A documentação, notas fiscais (fajutas) e faturas, eram emitidas por nossas firmetas. O Paulo Augusto Moreira Santiago, firmou um contrato, parece, com uma produtora e distribuidora francesa, a Gamma. A partir daí, passei a ser inconveniente, tanto para a Realejo quanto para a tal de Gamma. No final das contas, somente o Riberti foi, para que se diga a verdade, honesto, ao dizer, no portão da Realejo (sala que era alugada pelo pai do sócio do Paulo Augusto Moreira Santiago): “Ô, Gudin, você acha que com aquela merreca que vocês tinham o Otávio iria fazer tudo isso, lançamento do seu disco, impressão, prensagem, início de divulgação fora de São Paulo e outras coisinhas mais?”. Isso pra dizer o mínimo. Tem outras histórias daí desse tempo e desses lugares.



O PT virou o que virou e o Gudin virou vendedor de cachaça à granel. Acho que ainda continua ligado aos irmãos Altman (bons de negócio). Esses, também, boas histórias, desde o boteco do Clube do Choro, lá em Pinheiros. Dizem que o Gudin comprou o bar do Alemão. Nunca fui lá conferir, mas, já sei, deve ser igual, pero no és lo mismo, como diria o cubano Silvio Rodriguez.



O pessoal lá do SESC de Interlagos, principalmente o Otaviano e o Alen, convidaram o Gudin para participar do Festival de Verão do Guarujá, 1980. O Gudin não aceitou e me indicou para assumir em seu lugar. Durei só três meses. Dancei. Fui dizer o óbvio, Maluf era ladrão.

*Trecho do livro e-book "Algumas Lembranças" de Otávio Martins Amaral - Editora Novos Rumores
*Escreva para:  contatonovosrumores@gmail.com
e compre o e-book por R$30,00

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

POSTAGENS POPULARES(ÚLTIMO MÊS)

POSTAGENS POPULARES (TUDO)