quarta-feira, 21 de setembro de 2011

QUANDO TUDO PARECE ESTAR PERDIDO

O Spam_________
EDIÇÃO NOVEMBRO/2011 – ANO I – N° 3 – PÁGINA 7
“O JORNAL MAMBEMBE, CAINDO AOS PEDAÇOS”
CRÔNICA

QUANDO TUDO PARECE ESTAR PERDIDO

Inácio Boyola (*)

Eu já havia percebido que há qualquer momento ela iria me dar um pé na bunda. Quase. Mas, como dizia a minha mãe, “Por quase ninguém morre, meu filho”.

Confesso que aprontei algumas, porém, nada que justificasse uma atitude extrema por parte dela. Pé na bunda, como eu concebo, é preciso que haja algum motivo forte. O mar não ta pra peixe. As safras não andam lá essas coisas. É preciso pensar direitinho o que se vai fazer, né?

Eu, cá com os meus botões, sempre procuro lembrar-me dos limites. As pessoas, nunca se sabe, podem desabar por uma besteirinha que a gente possa aprontar. Então, tento ser o mínimo possível leviano ou coisa parecida. O outro pode se sentir magoado.

Uma noite dessas, meus amigos e eu, fomos parar numa cervejaria. Dessas grandonas. Foi um belo porre. Sabe aquele hábito dos cervejeiros, de ir deixando juntar um monte de garrafas, vazias, sobre a mesa? Para, quem veja, tome conhecimento que ali, todo mundo é craque no consumo duma gelada e, também, pra conferir a conta, no final. Nessa noite isso extrapolou. A mesa, lotada. Garrafas até pelo chão. Ninguém ali tinha mais noção de nada. Conferir se a conta estaria certa, nem pensar.

Só o Jonas levou como suas acompanhantes, três loiras. Uma farra. Tinha uma lá que pegou o meu fraco e não parava de passar a mão no meu pescoço. Outros levaram outras. Eu, na minha. Mesmo que nem tinha quem levar. Se eu a convidasse, nem sei como ela reagiria.

Eu já estava quase entregue, quando a porta – daquelas de vai e vem, tipo filme de caubói – foi aberta dum supetão. A passos duros e firmes veio ao meu encontro. Gelei.

- Muito bem, é assim que você preenche o seu tempo entre o final do expediente e ir para casa, né? Com as duas mãos, bem postadas, na cintura. Isso ta parecendo uma comemoração.

Eu queria lhe fazer uma surpresa, mas tive que revelar naquele momento, mesmo:
- Ganhei na loteria...

- Pois vamos já para casa. Isso não são horas! (*) Cronista do O SPAM.

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